domingo, 4 de novembro de 2012

A Carta



Hoje recebi eletronicamente um convite para colaborar com este blog. No começo achei meio depressivo, memórias de uma mãe falecida, mas depois me lembrei de todas as peripécias cômicas e vi que será um espaço de crônicas e não lamentos.

Primeiro, vou me apresentar, eu sou o Conrado, irmão da Roberta e Fernando e filho da Christina. Não, não... eu sou o Rato, irmão da Pepe e do mico e filho da Chris ou Kika. Agora sim, se vou contribuir com freqüência, precisam saber que eu sou o Rato. Por que Rato? Outra hora a Pepe te conta.

Enfim, a Carta, título deste conto. Não sei bem desde quando, quantas gerações, mas a família começa a pensar em enterro logo depois dos 30. Separar uma roupa para o velório, comprar uma terrinha ou simplesmente separar dinheiro para hora “H”. Pensando nisso, desde muito pequeno, convivia com uma carta lacrada na pasta de documentos que só poderia ser aberta após a morte da minha mãe.

Rodou-se o país em mil mudanças e a carta estava sempre lá na pasta de documentos e crianças que éramos tínhamos tremenda curiosidade para saber o que poderia estar escrito, mas sempre respeitamos o desejo de nunca abrir em vida a tal carta.

Já adulto, minha mãe fazia questão que eu tivesse uma cópia da chave do apartamento dela, bem como a senha do cofre e sempre dizia: Quando chegar minha hora, primeira coisa que tu tem que fazer é abrir o cofre e levar tudo o que tiver lá contigo.

Chegado o dia 01/01/11, só lembrava desta ordem, correndo com funerária, capela, etc...corri ao cofre, abri, achei somente poucas jóias e algumas instruções bancárias. Mas e a carta que conviveu comigo por 30 anos?

Não teria muito sentido uma carta escrita no final dos anos 70 ser lida em 2011, mesmo assim,  o que estava escrito?

Misteriosamente, a carta sumiu. 

Conrado Noroschny (O Rato)

5 comentários:

  1. Conrado, esta história me lembrou o filme, Tão forte, tão perto. As chaves chegaram as mãos de seu dono. No caso da carta, minha imaginação fértil alivia minha curiosidade, achando que sua mãe a retirou de lá pois o que estava escrito talvez ela tenha conseguido dizer com sua própria voz em algum momento, sem que ninguém percebesse....

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    1. Mari, o filme chama-se Tão forte, tão perto? Quero assistir.
      Talvez tenha dito, talvez perdeu sentido, só tenho certeza que teríamos dado gargalhadas se tivéssemos lido juntos.

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    2. Se puderem, assistam História Real, do David Lynch. Conta a aventura de Alvin Straight, que atravessa os Estados Unidos pilotando um minitrator cortador de grama para visitar o irmão doente. É belíssimo e isso eu faria pelo Conrado.

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    3. O filme deve ser lindo, Pepe, mas se tu puder comprar uma passagem de avião, eu prefiro! bj

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    4. posso não, vou ter de ir de cortador de grama

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