terça-feira, 6 de novembro de 2012

FIAT 147


FIAT 147


Alguém lembra? Precursor do fiat Uno? A história a seguir foi nele e era amarelo, lógico.

Lá se vão 30 anos mais ou menos. Começo dos anos 80, Kika, marido e prole partem para Hernandarias no Paraguai para tocar uma madeireira, sucursal de uma empresa do planalto norte catarinense.
Sim, Paraguai, paraíso das compras (antes de Miami).

O filho do patrão estava prestes a se casar e manda meu pai comprar whisky para a grande festa. Muitas garrafas, queria impressionar a alta sociedade.
Assim meu pai fez, comprou muitas garrafas e abasteceu o nosso Fiat 147 com elas. Onde se poderia cogitar ter um espaço dentro do monovolume teria uma garrafa. Partem somente meu pai e minha mãe para Foz do Iguaçu, onde um caminhão de toras iria aguardar para fazer a baldeação do líquido dourado e levar ao destino final.

Sabendo que o volume ultrapassaria qualquer cota livre de importação, combina com Kika:
- Ao passar a fronteira, voce fica no carro enquanto converso com o motorista. Se eu assobiar, é fiscalização, pegue o carro e saia de perto.

Tudo parecia correr na maior tranquilidade, de tão tranquilo, esqueceu minha mãe que o marido tinha o velho hábito de assobiar  quando algo estava ao seu contento.
De ouvidos a postos, não teve dúvida, no primeiro assobio, deu partida no Fiat 147 amarelo e partiu cantando pneus pelas ruas de Foz de Iguaçu. Fazia curvas quase tirando duas rodas da pista com o barulho ensurdecedor de liquido a chacoalhar. 

Não tinha para onde ir, afinal estava só do outro lado da fronteira. Para voltar para casa teria que passar novamente pela Ponte da Amizade. Rodou, rodou, rodou, horas a fio. sem destino.

Enquanto isto, ao se dar conta da trapalhada que fez, seu marido embarcou no caminhão e partiu com o motorista Foz a dentro atras de sua esposa. Sem sucesso, retornou ao ponto original e aguardou.

Com os primeiro raios da manhã, Kika, sem ter para onde ir, retorna ao ponto marcado e ao ver o caminhão ali parado, sem aparente nenhuma fiscalização, pára o carro e encontra seu marido.
Exausta,  finalmente volta para a casa.

E assim tem muito tempo que não escuto meu pai assobiar uma canção.

Colaboração: Conrado Noroschny 

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