quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

HISTÓRIAS DE TELEFONE

Telefone I

Ainda no tempo que linhas telefônicas eram negociadas como bem de valor, compra e venda, aprendíamos ainda pequenos como atender a uma chamada.

Era frequente com Kika o diálogo abaixo:

Triiimmm  Trimmm
- Alô. Atende Kika
- Quééém??? Responde do outro lado da linha parecendo um gralha esganiçada.
- Você!
- Héééim???
- Oquê???
- Da onde fala?
- Da minha casa.
- Quem fala?
- Você, eu ainda estou só escutando.
Tu..tu..tu..tu.. encerra-se a ligação.
Kika coloca o fone no gancho e diz: - Na próxima ele aprende a ligar direito.


Telefone II

Kika, secretária executiva poliglota telefona para um amigo em horário comercial.
- Bom dia, posso falar com Sr. X?
- De onde fala?, retruca a telefonista
- Da minha casa, anuncia Kika
- Qual é o assunto?
- É particular
- Pode adiantar sobre o que é?
- É particular
- Fulano não se encontra
- Como assim, problemas psicológicos, depressão, algo do gênero? Irrita-se Kika
- Hããã?
- Minha filha, aprende comigo. "É de alguma empresa ou particular" em lugar de "de onde fala". Se é particular é particular, pergunta o nome e pede um minuto. A expressão "não se encontra" não existe. Secretária sempre sabe onde está o chefe, mesmo que a mulher dele não vá gostar de onde seja. Chefe não pode atender, está em reunião ou não está. 
- Vou estar anotando o seu nome para ele estar retornando a ligação.
tu...tu..tu...
Caso perdido, pensa Kika


Telefone III

Kika ainda trabalha na Consul, assessorando a diretoria. É secretaria executiva do departamento de comércio exterior, daquelas que aprendeu estenografia, correspondência comercial, essas coisas que não se ensinam ou não se quer aprender mais.

O chefe anuncia de dentro da sala: 

- Não estou para ninguém!
Ordem dada, ordem executada. Telefone toca:
- Bom dia, passe-me o Sr. X!, diz uma voz lusitana irritada.
- Infelizmente não posso, senhor, ele não pode atender no momento, mas, por favor, deixe seu nome que eu passo o recado

- É o Ray, de Portugal. Mas diga-lhe que necessito ter com ele com urgência! Irritação crescente no tom.

- O senhor pode repetir, por favor, não compreendi, Rei de Portugal?, com paciência de secretária.

- Sim, Ray, de Portugal e veja se já não pode passar-lhe o telefonema, retruca o português com arrogância

- Senhor, o Sr. X está ocupadíssimo, essa é uma empresa que fabrica refrigeradores e aparelhos de ar-
condicionado para o mundo todo. Está um calor dos infernos, estamos todos ocupados em atender pedidos e Portugal já não é monarquia desde 1910. 

Põe o telefone no gancho e suspira. Ora, trote com essa idade!

Nesse momento grita o chefe novamente:

- Kika, se o Ray telefonar, pode passar. É nosso representante em Portugal e estou aguardando para o fechamento da meta.





quinta-feira, 15 de novembro de 2012


Curtas

Gafe I
Caminhando no centro de Joinville, Kika encontra um velho conhecido e dispara:
- Menino, que surpresa, que bom te ver. Você não se matou?
- Kika, quanto tempo. Não, foi o meu irmão.
- Ahhh e como ele tá?
....silêncio...mas Kika insiste:
- E seu pai?
- Já morreu.
- Sua mãe?
- Também
- Bom te ver  vivo!
Seu filho a puxava pela mão, rumo a algum lugar onde ela não encontrasse mais conhecidos

Gafe II
Fila na Caixa Econômica. Kika encontra outro velho conhecido.
- Menino, quanto tempo. Como tu envelheceu! Nós estudamos juntos não é?
Silêncio cavalheiresco, a moça do caixa chama.

Gafe III
Kika está de aniversário e nesse dia vai conhecer o namorado da filha. O moço procura seu melhor sorriso. Kika é gentil:
- Quer uma fatia de bolo?
Ele:
- Não, não gosto muito de doce
Ela:
- Não vai dar um bom marido!

Gafe IV
É o casamento da filha do meio. Depois de uma escolha infeliz, um namoro montanha-russa, o príncipe encantado surge. É o mesmo do aniversário, que não gostava de doces.
Encerrada e cerimônia, todos se acomodam. Mesa dos noivos.
Kika cumprimenta o rapaz:
- Ai que bom, espero que agora seja o último.




quinta-feira, 8 de novembro de 2012


Uma possível origem da Cow Parade

Início dos anos 70 em Joinville. Kika, jovem de belas pernas, criada por sua mãe com seus avós, encontra um belo rapaz de largas costeletas e resolve se casar.

Seu avô torcia um pouco o nariz, mas não faz oposição.

Do ditado “os opostos se atraem”, de tantos, o mais visível era seu medo por animais. Até mesmo de fofinhos filhotinhos, ao passo que  sua “alma gêmea” era dada a criá-los em casa, não importando o tamanho do quintal ou absoluta inexistência  dele. De chinchilas a vacas e cavalos.

Em seu primeiro lar, o jardim se torna pasto para abrigar uma mimosa vaca leiteira (ressalto que já existia leite pasteurizado). O bovino podia ser apreciado a qualquer tempo pela janela da cozinha, que ficava ao lado da pia e era a distância mais segura de convívio entre as duas - a vaca e Kika.

Certo dia, o jovem casal ocupados com afazeres domésticos, Kika lavando a louça distraidamente sem se dar conta que a mimosa vaca coloca a cabeça pela janela e diz aquilo que ela poderia dizer:
 - MUUUUUUUUUUUUUUU

Bastou para Kika correr aos berros para sala, enquanto a vaca esbugalhando os olhos corre em direção contrária, arrebentando a cerca e disparando pelas vias em direção ao centro.

Seu príncipe marido corre para pegar seu cavalo (sim, ele também tinha um cavalo e muitos outros aparecerão em outras histórias) e galopa atrás da atlética vaca.

A vaca corre, o Nelson atrás...a vaca corre, o Nelson atrás....passando pela rua Conselheiro Mafra, rua onde mora o avô de Kika, que estava a apreciar a paisagem em seu jardim.
Não poderia seu avô acreditar que acabara de ver uma vaca louca cruzar seu caminho no centro de Joinville, quando vê Nelson aos galopes logo em seguida.

Seu primeiro pensamento foi:
- Isto não vai prestar!

Ele estava certo, treze anos depois, a vaca, de quem não se sabe o paradeiro e o cavalo não faziam mais parte dessa história. E o casal correu cada qual para o seu lado.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

FIAT 147


FIAT 147


Alguém lembra? Precursor do fiat Uno? A história a seguir foi nele e era amarelo, lógico.

Lá se vão 30 anos mais ou menos. Começo dos anos 80, Kika, marido e prole partem para Hernandarias no Paraguai para tocar uma madeireira, sucursal de uma empresa do planalto norte catarinense.
Sim, Paraguai, paraíso das compras (antes de Miami).

O filho do patrão estava prestes a se casar e manda meu pai comprar whisky para a grande festa. Muitas garrafas, queria impressionar a alta sociedade.
Assim meu pai fez, comprou muitas garrafas e abasteceu o nosso Fiat 147 com elas. Onde se poderia cogitar ter um espaço dentro do monovolume teria uma garrafa. Partem somente meu pai e minha mãe para Foz do Iguaçu, onde um caminhão de toras iria aguardar para fazer a baldeação do líquido dourado e levar ao destino final.

Sabendo que o volume ultrapassaria qualquer cota livre de importação, combina com Kika:
- Ao passar a fronteira, voce fica no carro enquanto converso com o motorista. Se eu assobiar, é fiscalização, pegue o carro e saia de perto.

Tudo parecia correr na maior tranquilidade, de tão tranquilo, esqueceu minha mãe que o marido tinha o velho hábito de assobiar  quando algo estava ao seu contento.
De ouvidos a postos, não teve dúvida, no primeiro assobio, deu partida no Fiat 147 amarelo e partiu cantando pneus pelas ruas de Foz de Iguaçu. Fazia curvas quase tirando duas rodas da pista com o barulho ensurdecedor de liquido a chacoalhar. 

Não tinha para onde ir, afinal estava só do outro lado da fronteira. Para voltar para casa teria que passar novamente pela Ponte da Amizade. Rodou, rodou, rodou, horas a fio. sem destino.

Enquanto isto, ao se dar conta da trapalhada que fez, seu marido embarcou no caminhão e partiu com o motorista Foz a dentro atras de sua esposa. Sem sucesso, retornou ao ponto original e aguardou.

Com os primeiro raios da manhã, Kika, sem ter para onde ir, retorna ao ponto marcado e ao ver o caminhão ali parado, sem aparente nenhuma fiscalização, pára o carro e encontra seu marido.
Exausta,  finalmente volta para a casa.

E assim tem muito tempo que não escuto meu pai assobiar uma canção.

Colaboração: Conrado Noroschny 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Eu me lembro....Os 3 mil pintinhos


(Ou era uma vez?) Vamos de era uma vez...


...3 mil pintinhos em um apartamento!!!



Sim, em um quarto 3 x 4 ! E tudo começou com um programa de televisão que falava que chinchilas estavam rendendo um bom dinheiro. Bom, chinchilas me parecem ser espécie de ratinhos, não muito grandes, e pintos já no diminutivo, ficam tão pequenos quanto. Portanto, 3 mil chinchilas dariam x reais, 3 mil pintinhos dariam y reais. Excelente equação! Mas no meu apartamento???
Sim, no meu apartamento! As caixas, aquelas de papelão com furinhos, e piantes subiam, e subiam e subiam e olhávamos espantadas, nós mulheres, pois homens raciocinam diferente. Creio que raciocinam igual aos pais dos pintinhos.....

Bem, quando estavam todos no quarto, foram cuidadosamente abertas as caixas piantes e de dentro jorraram literalmente 3.000 pintinhos. Tenho certeza que você não está acreditando! Nem eu caso acreditaria, caso não tivesse vivido isso e, melhor, sobrevivido aos 3 mil pintinhos. As janelas foram abertas parcialmente para que não se resfriassem, pois era inverno... muito frio em Porto União. Durante a noite um aquecedor, coitadinhos... sentiam tanto frio! Aqueles aquecedores que consomem uma energia braba e que você para seu uso não liga, evitando faturamento muito alto. Enfim... eram 3 mil pintinhos que piavam desesperadamente, defecavam mal cheirosamente e, melhor ainda, colocaram todos os moradores do prédio contra nós: síndico, cartas, palavrões e... e... 


Os 3 mil pintinhos piavam e os moradores xingavam, não necessáriamente nesta ordem, até que a bendita bolba (doença que acomete esta espécie) atacou dizimando... dizimando...dizimando... Eram 3 mil pintinhos... pluft, eram 2.999 pintinhos.... pluft, eram 2.998 pintinhos.....pluft...pluft..



Você quer mesmo saber o fim dos 3 mil pintinhos? Viraram 37 frangotes mal amados e traumatizados pela maldição dos vizinhos, do faturamento de energia elétrica e dos seres pensantes daquele apartamento, não esquecendo também da enchente que dizimou alguns. E, daqueles 37 frangotes, 20 foram dados para pagar o milho, 10 foram para o dono do terreno que os acolheu quando foram expulsos do apartamento e 7 foram para panela. De quem? Sei não, só sei que para o apartamento não voltaram....



(Colaboração de Christina Hagemann, que viveu muitas histórias bizarras e divertidas durante um casamento de 13 anos com um homem chamado Nelson...)